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Saúde sem fronteiras no país

Profissionais como a colombiana Rosa Alencar vão fazer parte do cotidiano dos pacientes brasileiros

Fosse apenas por questões geográficas, a médica colombiana Rosa Alencar teria cruzado a fronteira e feito a especialização em Pediatria no Amazonas, estado vizinho de seu país. Mas não. Precisou vir para o interior de São Paulo, mais precisamente Sorocaba. Sentiu na pele a concentração de médicos e escolas de excelência em medicina no Brasil, o que agora o governo pretende corrigir justamente com a contratação de estrangeiros.

medicosA desproporcionalidade da distribuição dos profissionais pelo país salta aos olhos pelas estatísticas. O estado de São Paulo tem cerca de 35% dos médicos nacionais. De um total de 400 mil em todo o Brasil, 110 mil exercem a medicina em solo paulista — desses, 55 mil na capital. O abismo entre o Norte e o Sul fica ainda mais escancarado quando se sabe que 72% dos médicos do país estão nas regiões Sul e Sudeste.

Rosa chegou ao Brasil em 2001 após convite de uma amiga colombiana que fazia especialização médica na PUC de Sorocaba. “A medicina brasileira é muito conceituada em toda a América Latina”, disse. Hoje com 39 anos, Rosa também sofreu com o rigor burocrático quando decidiu ficar. Foram nove anos e sete repetências seguidas em provas que avaliavam sua capacidade médica até que na oitava ela conseguiu passar e, finalmente, obteve autorização definitiva para ser médica no Brasil. “Como tenho um primo tenente na Colômbia, que foi ameaçado de morte pelo narcotráfico, consegui um visto de refugiada que me permitia fazer várias vezes as provas.”

VAI FICAR MAIS FÁCIL/  O Ministério da Saúde não  aplicará o  Revalida aos médicos estrangeiros que trabalharem no Brasil. O exame atesta os diplomas de medicina expedidos por faculdades do exterior. O Conselho Regional de Medicina de  São Paulo é contrário à medida (veja entrevista ao lado).

Segundo a pasta federal, será exigido do médico estrangeiro apenas uma adequação à realidade clínica brasileira.

Rosa, que também especializou-se em neonatologia, acredita que os planos de Dilma Rousseff podem ser um caminho rumo à melhoria da saúde, mas não o mais curto.  “É preciso investir em infraestrutura. Hoje, eu diria não se me convidassem para trabalhar no Amazonas. Mas, se tivesse acabado de me formar, diria sim.

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