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Prefeito peruano diz que lixão é fruto da falta de integração na fronteira

foto-1Foto 1: Imagem do lixão no igapó na ilha de Islândia que ameaça o meio ambiente e a saúde da população de Benjamin Constant, na região do Alto Solimões, cuja água é captada a 1,5 km abaixo do local.foto-2

Foto 2: Vista da cidadela de Islândia, sede do Distrito de Yavari na fronteira entre Brasil e Peru, próximo a Benjamin Constant

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Foto 3: Vereador Ares Cabral (E) e o alcaide do Distrito de Yavari, Santiago Fernando Villafani Vasquez (D)

foto-4Foto 4: Alcaide do Distrito de Yavari, Santiago Fernando Villafani Vasquez

Benjamin Constant (AM) — O alcaide (prefeito) do Distrito de Yavari, cuja a sede é a pequena cidade de Islândia, Santiago Fernando Vallafani Vasquez, na divisa entre o Brasil e Peru afirmou hoje que o problema do lixão de sua cidade é o reflexo da falta de integração entre países para resolver problemas comuns na fronteira. O lixo produzido em Islândia é uma grave ameaça ao meio ambiente e para a população do município de Benjamin Constant (a 1.116 km de Manaus, região do Alto Solimões). Resíduos sólidos domiciliares e hospitalar tem como destinação final o igapó na Ilha de Islândia, às margens do Javarizinho, braço do Rio Javari que divide os dois países.

Santiago Fernando se reuniu hoje pela manhã com o comerciante e vereador Ares Cabral (PMDB) na sede da Alcadia (Prefeitura) em Islândia.

Ele informou que o problema da destinação do lixo em Islândia vem sendo discutido desde 2011, sem que tenha resultado em resultados práticos. Naquele ano foi proposto uma espécie de convênio para que o lixo peruano fosse levado para Benjamin Constant.

Para Santiago Villafani, o problema do lixo é um dos vários problemas vividos pelas populações dos dois municípios, como o contrabando de mercadorias e segurança pública.

Ele fez uma crítica quanto a falta de uma política específica para as cidades fronteiriças e as leis dos dois países.

“Parece que as autoridades de nossos países não se deram conta dos nossos problemas. As leis que somos obrigados a cumprir não nos serve, não nos ajuda em nada”, afirmou o alcaide.

Villafani é a favor da criação de uma lei específica de integração nas fronteiras, respeitando as características de cada região, como a da Tríplice Fronteira com o Brasil, Peru e Colômbia.

“É preciso que haja interesse e a vontade política de cada ente fronteiriço e de suas autoridades”, observou.

Sede do Distrito de Yavari (Javari em português), Islândia está localizada em uma ilha fluvial. Por estar em área de terras baixas, a ilha passa a maior parte do ano alagada. Tanto que as edificações são erguidas em palafitas com mais de dois metros do solo. A circulação dos 2.500 moradores são em pontes, não havendo circulação de veículos.

O Distrito de Yavari (o equivalente a município no Brasil) possui uma população de 14 mil habitantes e a receita mensal do município é de pouco mais de 110 mil dólares mensais, o que representa cerca de um quarto da receita de Benjamin Constant. A região peruana próxima à fronteira do Brasil é uma área de proteção ambiental peruana criada na década de 90.

A única alternativa para o depósito do lixo seria transportá-lo por barco para uma localidade distante a doze horas de Islândia.

O alcaide informou que a União Europeia vem tentando articular uma integração de fronteira na região do Alto Solimões.

Ontem uma equipe do Ibama sediado em Tabatinga esteve no local onde está situado o lixão.

Em Benjamin Constant está sendo realizados exames químicos da água do Javarizinho por solicitação do secretário municipal de Saúde, Braz Santos. O resultado deverá ser divulgado nos próximos dias.

 

Fonte: Eduardo Gomes    Jornalista – Reg. Prof. 14.444 – DRT/RJ

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