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Mulheres do Amazonas participam de atos públicos em Brasília

Duas mil mulheres, aproximadamente, estão em Brasília em dois movimentos. Um a 1ª Marcha Nacional das Mulheres Indígenas, de 9 a 12, e a Marcha das Margaridas, de 13 a 14. Do Amazonas, seguiram 190 mulheres entre indígenas, quilombolas, pescadoras, agricultoras, artesãs, e dos movimentos de mulheres (estimativa das organizações participantes).  As marchas, conjuntas, são o primeiro laboratório de ativismo social em realização no País. Do Norte profundo, Nordeste, ao Sul profundo, as mulheres se organizaram há meses para o grande encontro e apresentação das pautas de reivindicações ao Governo Federal e ao Congresso Nacional.

As indígenas ocuparam ontem (12) parte da área do prédio do Ministério da Saúde. Realizaram rituais e cantorias, como fazem os povos indígenas em seus encontros locais, nacionais, mundiais.   
Maria Sales Gomes, do povo potiguara, na Paraíba, disse que está em Brasília representando as mulheres potiguaras em um momento “muito forte e de muita resistência na luta para expor nossa situação na secretaria (Secretaria Especial de Saúde Indígena – Sesai) e para dizer que se a secretária não puder trabalhar com nós, que saia e dê oportunidade para outra pessoa que queira trabalhar”.  Maria Gomes lembrou que são profundas as necessidades do povo potiguara em relação a saúde. “Em um quadro como esse que aí está de decadência, precisamos de uma pessoa disposta a nos ajudar e a fortalecer as ações da saúde indígena. Por isso estou aqui, é para lutar”. 

Do povo Jenipapo-kanindé, do Ceará, Andreia Jenipapo –Kanindé integra uma delegação de 50 mulheres indígenas que atravessaram de ônibus o Nordeste para participar da I Marcha das Mulheres Indígenas. “Estamos fazendo com que nossa luta saia das aldeias e ganhe visibilidade. Estamos aqui hoje (ontem) ocupando espaço da Sesai, uma secretaria planejada por nossas lideranças par atender os povos indígenas e, hoje, está em mãos de pessoas que não conseguem nem dialogar com os indígenas. Ai,  a força da mulher indígena reunida para dizer que estão aqui falando, por nós mesmas, mostrando nossas riquezas e batalhas para que nossa saúde não seja municipalizada e nossos territórios sejam respeitados.”

O tema da Marcha de Mulheres Indígenas é “Território: nosso corpo; nosso espírito”, o que significa, de acordo com Andreia Jenipapo-Kanindé, a determinação de defender até as últimas consequências os territórios indígenas. “Não podemos ter educação, não podemos ter esporte e lazer se não tivermos nossos territórios. Estamos aqui, com esse pessoal que é dono da caneta, para que possam olhar e zelar pelas mulheres e os povos indígenas”.

A líder indígena afirma que a luta das mulheres indígenas e dos povos indígenas do Brasil não é para “tirar nada de ninguém, só queremos o que nos pertence”. E recorda: “já tiraram muito dos nossos povos em mais de 519 anos de luta e resistência. Não é um mês, não é dez anos, não é cem anos. São mais de 500 anos que lutamos e resistimos. Então povo brasileiro, queremos respeito. Essas mulheres que estão aqui e já somam mais de 1.500 mulheres, vieram para fortalecer uma luta que é feita com nossos companheiros, é uma luta que não é só de mulheres, ou de homens, é de uma nação inteira que clama por justiça, por muitas vezes ter as aldeias exploradas, pelos nossos caciques e pajés cujas vidas estão sendo ceifadas”.

‘Basta de sangue!’

Coordenadora da Rede de Mulheres Indígenas do Amazonas (Makira-Eta) Rosemere Teles Vieira, povo arapaco, situa a angústia das indígenas com toda a violência que está sendo praticada contra os povos indígenas, com a desestruturação de instâncias por meio das quais os indígenas dialogavam, apresentavam propostas e reivindicações. “Essa marcha que ora realizados é um marco. Estamos dizendo ‘basta de sangue! Chega da destruição das famílias indígenas! Chega de lágrimas das mulheres que perdem seus maridos e seus filhos, seus pais, seus parentes que saem da aldeia para lutar em defesa do nosso território!’. Estamos em Brasília para dizer que queremos a vida e viver com dignidade, com o respeito que merecemos e para apresentar as autoridades os nossos posicionamentos e, se elas foram eleitas para servir o povo do Brasil no executivo e no legislativo devem ouvir bem o que esse povo está falando”. 

Margaridas

A partir desta terça-feira (13), as trabalhadoras da floresta, das águas, do campo e das cidades iniciam a etapa Brasília da Marcha das Margaridas. Ativistas do movimento de mulheres do Amazonas, com larga experiência de militância, Socorro Ferreira, Luzarina Varela e Francy Guedes estão nessa caminhada. Socorro Ferreira, mais conhecida como Socorro Papoula, do Movimento Articulado das Mulheres da Amazônia (MAMA), disse ontem que a presença das mulheres da floresta e das águas na grande marcha é para fortalecer a luta de todas as mulheres brasileiras por garantia de direitos e soberania. Somos corpo e somos espírito que agora marcham, juntos na luta pela garantia dos direitos e das nossas vidas, ameaçadas pelos atos do governo Bolsonaro”.

“Já participei três marchas com governos de perfil progressista. Esta de agora é inédita porque acontece no início de um governo que quer acabar com a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras principalmente, retira direitos das e dos trabalhadores rurais que foram conquistas das mulheres em cada marcha que fizeram ao longo desses anos. É isso que sinto:  estamos aqui para mostrar que nós mulheres iremos até às últimas instâncias para defender nossos direitos. Vamos fazer que nem fizeram as indígenas hoje (ontem) no prédio do Ministério da Saúde. É assim que vai ser, disse Luzarina Varela, do Fórum de Mulheres do Amazonas e do Movimento de Mulheres Solidárias do Amazonas (MUSAS).

Francy Guedes, da Marcha Mundial de Mulheres-seção Amazonas, estava emocionada ao falar das duas marchas, na tarde de ontem. Disse que há tensão, mas esta não encobre um sentimento de harmonia que envolve praticamente 2 mil mulheres de diferentes culturas. “O que está acontecendo aqui (Em Brasília), é marcante, único. As mulheres indígenas que hoje (12) encerravam o encontro iniciado no dia 9, demonstram muita resistência, sabedoria e são aguerridas, têm muita vontade. O ato de dar as mãos e fazer a grande roda é de uma energia ímpar. É assim que fazemos. Elas cantam, fazem rituais e seguem na marcha, seguimos também para dizer não ao retrocesso, a violência governamental, ao racismo e à entrega do Brasil aos grandes projetos internacionais, aos interesses do governo norte-americano”.

Fonte: Acrítica.com

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