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Justiça do AM nega recurso para abertura do comércio

A falta de atuação do Estado para ampliar a estrutura de saúde na pandemia e o aumento de casos levou o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) a entrar com uma ação civil para o fechamento do comércio, medida polêmica que poderá resultar em novos protestos esta semana.

Uma convocação para um protesto em toda a cidade nesta terça-feira (5), para pedir a reabertura do comércio está sendo organizada por meio das redes sociais por várias áreas de atividades comerciais que se sentem prejudicados com o fechamento do comércio.

Já os profissionais da saúde anunciam, para quarta-feira (6), um ato em frente ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de agosto, na zona centro-sul, por conta da falta de equipamentos e condições para poderem atender os pacientes infectados. “A saúde vai parar na quarta-feira. Todo mundo vai fechar a Avenida Recife para pedir melhorias para a saúde que está colapsada e a gente não aguenta mais”, disse o técnico em enfermagem Mauro Bastos, que trabalha há 11 anos na unidade.

“O Estado do Amazonas tem se mostrado e se declarado incapaz de lidar e resolver as graves consequências advindas da pandemia (…) A ação do Estado só influenciaria para minimizar as consequências trágicas, quando, efetivamente preparado, oferecesse à população sistemas públicos adequados ao enfrentamento do problema. Ora, isso não se verifica no Estado do Amazonas.

O Ministério Público e a Defensoria Pública do Estado do Amazonas deveriam dedicar-se a combater os reais problemas que acarretam em resultados tão calamitosos no Estado do Amazonas”, disse o presidente da Associação PanAmazônia, Belisário dos Santos Arce, ao pedir que o fechamento do comércio não essencial seja revogado no recurso contra a ação do MP-AM, acatada pela Justiça e que fechou o comércio.

E continuou: “A decisão que suspende o funcionamento dos estabelecimentos resultará em caos, pois é certo que a população, revoltada, voltar-se-á contra o policiamento, podendo ocasionar mais tragédias. A população é contra a suspensão das atividades, conforme manifestações que ocorreram contra o Decreto do Governador em 26 de dezembro de 2020, amplamente divulgadas pela mídia, que acarretaram em mais aglomerações e, consequentemente, em mais contágios.

Assim, percebe-se que a Decisão segue na mão contrária dos seus objetivos, ou seja, diminuir o contágio pelo coronavírus, o que já a torna ilegal de plano”, completou Belisário Arce.

Já o doutorando em Biologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Lucas Ferrante, explica que a ausência do Estado é perceptível e foi fator principal para o colapso nas unidades de saúde. “Já existe uma ausência de resposta do governo estadual em frear o avanço da pandemia em Manaus. As internações e casos agora observados ainda são resultados de aglomerações durante o Natal, sendo que um aumento de casos ainda vai ser visto nos próximos dias”.

Durante a pandemia, diversos escândalos de superfaturamento em contratos na Saúde do Amazonas foram questionados, entre eles a compra de 28 respiradores em uma loja de vinhos por R$ 2,9 milhões e o aluguel do hospital de campanha, por R$ 2,6 milhões. Enquanto o Estado teve tempo para preparar a estrutura dos hospitais, centenas de pessoas perdiam suas vidas para Covid-19 e nesta segunda onda da pandemia, mais uma vez é possível perceber que os hospitais estão em colapso.

Em dezembro passado, o pagamento de R$ 1,5 milhão na montagem de uma árvore de Natal no Largo São Sebastião foi questionado pelos deputados Wilker Barreto e Dermisson Chagas, que entraram com um pedido na Justiça para explicar os gastos tão altos, valor que poderia ser empregado no combate à doença.

Dados

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) informou ontem que 546 novos casos de Covid-19 foram registrados, totalizando 202.413 e mais 20 óbitos elevando o total para 5.345 mortes.

Fonte: D24am.

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