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Metade dos municípios do Amazonas ignora qualidade de alimentos

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que praticamente metade (46,7%) dos municípios do Estado não tem órgãos de controle sobre qualidade de alimentos.

78187_460x270_0979104001372914183Manaus – Caracterizada pela Constituição Federal como direito fundamental do ser humano, a oferta de alimentos de qualidade à população é negligenciada em 46,7% dos municípios do Amazonas, segundo pesquisa divulgada, nesta quarta-feira (3), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Intitulado Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), o estudo aponta que dos 62 municípios do Estado, 29 não possuem estrutura específica na área de segurança alimentar e nutricional.

Voltada basicamente ao levantamento pormenorizado de informações sobre a estrutura, a dinâmica e o funcionamento das instituições públicas municipais, em especial as prefeituras, a pesquisa revela fragilidades até mesmo nos 33 municípios que já possuem órgãos voltados ao assunto, com apenas dois contando com secretaria exclusiva, contra 21 que relegam os trabalhos a setores vinculados a outras pastas.

O descaso com a qualidade do alimento que chega à mesa do amazonense é ainda mais latente quando observado que somente dez (16,1%) dos 62 municípios do Estado possuíam, até 2012, lei municipal de segurança alimentar e nutricional promulgada e apenas dois em fase de tramitação.

Destinadas a promover a articulação e a integração entre os órgãos e entidades da administração pública municipal ligados à área de segurança alimentar e nutricional, assim como garantir a execução das políticas do setor, dentro dos preceitos da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN), as Câmaras Intersetoriais de Segurança Alimentar e Nutricional estão presentes em apenas cinco (8%) municípios do Amazonas.

De acordo com as informações da Munic 2012, as áreas da saúde, educação e assistência social foram as que apresentaram maior representação nas câmaras com três municípios cada uma.

Para o presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Amazonas (Consea), Pedro Neto, o número elevado de municípios indiferentes à segurança alimentar tem como pano de fundo a falta de políticas públicas ligadas ao tema no Estado e o caráter novo da preocupação.

“A política de segurança alimentar é algo novo no Amazonas. O Sistema Único de Saúde (SUS) quando foi lançado também enfrentou a falta de conhecimento como obstáculo”, disse ele.

Segundo Neto, outro ponto a ser levado em consideração diz respeito à dinâmica e sazonalidade do Estado, na qual enquanto o Sul está alagado, o Norte está seco. “Nesse cenário, os prefeitos preferem correr atrás de questões emergenciais”, afirmou.

O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Amazonas (CRMV/AM), Paulo Alex Carneiro, ressalta que, enquanto apenas 33 municípios investem em segurança alimentar, 55 mantêm abatedouros irregulares, pondo somente 11,2% dos municípios no rol de consumo de alimentos com procedência segura.

“Não podemos esquecer que várias doenças estão ligadas ao consumo de alimentos contaminados como, por exemplo, a cisticercose, a brucelose, as doenças diarreicas, a salmonelose e até a tuberculose”, frisou.

Apontada como uma das mais comuns, a cisticercose é causada pela ingestão dos ovos da Taenia solium, microrganismo presente na carne.

Fonte: D24am

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